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HISTÓRIA DA SINAGA

Por volta de 1880, devido à crise da laranja em S. Miguel, surgiu a cultura alternativa da batata-doce.

Como o mercado do Continente era ávido de álcool industrial, a cultura da batata-doce levou à construção, nos Açores, de cinco fábricas de álcool (duas na Terceira e três em S. Miguel).

Na Ilha de S. Miguel, a primeira a surgir foi a fábrica da Lagoa, em 1882, a seguir foi a fábrica de Sta. Clara, em 1884, e finalmente foi a vez da unidade da Ribeira Grande, em 1890.

É este o contexto histórico que conduz ao grande incremento do fabrico de álcool nos Açores, sendo de realçar que, no fim do século passado, foi a cultura da batata doce que contribuiu decisivamente para a modernização da mesma indústria.

A Região dos Açores, nessa altura era ponto de passagem obrigatório para os navios que iam para a Europa, razão pela qual os residentes no Arquipélago acompanhavam o processo de evolução da mesma indústria.

Havia a consciência de que a batata-doce tinha grandes possibilidades de ser cultivada nas ilhas. Associando este aspecto ao da crise da laranja, fica a perceber-se o surgimento da indústria do álcool.

Porém, na Europa, a doença da filoxera atingiu gravemente as vinhas.

A imediata consequência disso foi uma crise séria na produção do vinho, e por isso, o consumo de álcool começou a aumentar, aspecto este que foi determinante para o incremento da cultura da batata-doce.

A produção do álcool, na Região, foi muito importante e positiva durante os últimos 20/30 anos do século XIX - isto, apesar dos muitos obstáculos que lhe foram levantados, conforme foi o caso da criação do monopólio do álcool.

Nessa altura, o Ministério da Fazenda introduziu taxas de captação de dinheiro que arruinavam completamente a indústria do ramo, o que provocou profundas reacções na época, tanto da parte dos investidores, como da parte da própria classe trabalhadora.

Para agravar ainda mais a revolta na Região, sabia-se que os lucros da indústria açoriana do álcool, eram para aplicar na construção dos caminhos-de-ferro de Portugal Continental.

Além disso, a publicação de um Decreto de 1901 que visava defender os interesses da indústria continental, veio limitar a produção de álcool nos Açores!

E nesse tempo, a Região dos Açores já produzia 10 milhões de litros de álcool por ano, tanto quanto Portugal consome actualmente.

Assim, o Decreto de 1901, fez com que a produção de álcool no Arquipélago fosse reduzida para 2 milhões de litros/ano encerrando-se quatro unidades do ramo, duas na Ilha Terceira, e duas na Ilha de S. Miguel.

O continente, deste modo, prejudicou, sem margem para dúvidas, o desenvolvimento da indústria do álcool nos Açores.

É assim que aparece a beterraba - a nova cultura que serviu para os Açores responderem à política restritiva do Governo de Lisboa. As primeiras experiências com a cultura da beterraba açucareira já haviam sido feitas no último decénio do século XIX, por Henrique Bensaúde, pelo Eng. José Cordeiro e pela antiga Estação Agrária.

Em 1902, assim (devido à crise gerada pelo Decreto de 1901), formou-se a União das Fábricas Açorianas do Álcool, UFAA, (que só viria a desaparecer em 1969), e que pediu autorização do Governo para instalar uma fábrica de laboração beterraba açucareira em S. Miguel, com vista à produção de açúcar.

O álcool passaria então, a ser extraído, também, de melaço, um derivado da beterraba sacarina, ultrapassando-se, desta forma, a crise do álcool da batata doce que, mesmo assim, continuou a ser produzido na fábrica da Lagoa, até 1969.

Em 1903, foi finalmente dada autorização pelo Governo, para a instalação de uma unidade industrial para a produção de açúcar, mas com a condição do projecto ficar concluído no período máximo de três anos.

A UFAA aceitou o desafio e mandou mesmo construir a Fábrica de Açúcar de Sta. Clara, exactamente no mesmo espaço que era ocupado pela Fábrica de Destilação de Álcool.

No mês de Dezembro de 1905, a fábrica de Sta. Clara ainda fez a sua última campanha do álcool, e seis meses depois (em meados de 1906) a unidade açucareira já estava instalada (um tempo verdadeiramente recorde, de facto) tendo a fábrica laborado, então, já no mês de Julho desse ano 7.500 toneladas de beterraba, durante um período de cerca de três semanas.

1969 foi o ano da grande viragem histórica, no que respeita à produção do açúcar e do álcool nos Açores.

A SINAGA (actualmente com capital social de 800.000 contos) adquiriu à UFAA as duas unidades industriais de que aquela empresa era proprietária - a de Sta. Clara (açúcar) e a da Lagoa (álcool).

Presentemente a SINAGA excede 100 funcionários efectivos e trabalha com mais de mil agricultores micaelenses que lhe fornecem beterraba.

A fábrica do açúcar é uma industria sazonal, tal como qualquer outra fábrica beterrabeira que só trabalha de 50 a 80 dias por ano, em regime contínuo de três turnos, durante 24 horas por dia, complementando-se com a fábrica do álcool que nunca trabalha em simultâneo.

Atendendo ao clima temperado e húmido dos Açores, a laboração da fábrica começa sempre no mês de Agosto.

Nos tempos da UFAA, a fábrica do açúcar trabalhava cerca de 500/600 toneladas de beterraba por dia.

Na década de 70, a SINAGA decidiu fazer uma remodelação profunda na unidade, processo esse que foi acompanhado, na íntegra, pela British Sugar Corporation (ao tempo, a maior produtora de açúcar de beterraba do mundo).

A partir daí, a fábrica de Sta. Clara ficou com uma capacidade de corte de 1.000 toneladas de beterraba/dia.

Contudo, nesse tempo, só havia uma cultura de beterraba por ano em S. Miguel - a chamada "cultura da Primavera" - semeada em Fevereiro/Março de cada ano e colhida em Agosto.

Como informação, refira-se que a maior produção beterrabeira de sempre foi aquela que se registou no ano de 1964 - 160.000 toneladas - nunca mais se tendo repetido números semelhantes. A laboração da fábrica começou em Agosto e só terminou em Maio do ano seguinte.

Realce-se que essas 160.000 toneladas de beterraba dariam para o dobro do nosso consumo actual de açúcar.

Actualmente a SINAGA possui uma quota de produção de açúcar de beterraba de 10.000 toneladas, para o que necessita de 100.000 toneladas de matéria-prima.

Única no país, até Julho de 1997, altura em que começou a laborar uma fábrica em Coruche, a Fábrica de Açúcar da SINAGA actualmente está preparada para um trabalho contínuo de 120 dias.

A fábrica está instalada numa área de 60 mil m2, e está apetrechada com um forno de cal, com um laboratório de análises de beterraba, com armazém preparado para receber 4 mil toneladas de açúcar – cerca de 3.200 Big-bags de 1.250kg - e com um posto de transformação de energia eléctrica, que é o maior posto privado da Região.

Recentemente a Sinaga juntou ás unidades de produção de vapor, um turbo gerador que lhe permite ser auto-suficiente em energia eléctrica sempre que labora raízes de beterraba açucareira, ou refina ramas de beterraba açucareira.

A sementeira é feita com base num contrato com os agricultores, sendo que, deste modo, os mesmos agricultores, quando se decidem pelo cultivo da beterraba, já sabem, de antemão, que têm garantido a venda do produto.

Os agricultores com contrato sabem ainda, quanto receberão pela produção dado que preço é prefixado em tabelas anunciadas antes da sementeira, e a SINAGA, além de tudo, preza-se de liquidar as suas dividas num prazo de 8 dias depois da entrega da beterraba na fábrica.

Recorde-se que, nos anos 60 os fortes surtos de emigração reduziram bastante a mão-de-obra nos campos.

Na actualidade os poucos recursos humanos existentes nos meios rurais estão a ser canalizados para o sector terciário, o que faz com que muitos agricultores preferiram investir na pecuária, sector bastante incentivado a nível governamental e menos exigente em mão-de-obra.

É de notar ainda que na década de sessenta o arroteamento das terras altas, fez com que se tivesse gerado um desequilíbrio na ocupação das terras, principalmente motivado pelas necessidades da pecuária em pastos permanentes, e que originou o seu alargamento até junto do mar, o que veio contribuir para o decréscimo da área própria para as culturas industriais.

Ao longo do tempo a SINAGA foi promovendo um conjunto de acções para estimular a cultura da beterraba em S. Miguel, apostando na mecanização da cultura e na formação profissional dos agricultores.

A Sinaga dispõe actualmente de uns Serviços Agrícolas, dirigidos por Técnicos competentes, que comandam uma equipa de trabalhadores com muita experiência na cultura da beterraba sacarina.

Os Serviços Agrícolas da Sinaga têm ainda á disposição equipamentos próprios para a preparação de terras, máquinas para as sementeiras, máquinas para efectuar tratamentos fito sanitários e de aplicação de herbicidas, e por fim máquinas colhedoras de beterraba, adaptadas á morfologia e á dimensão dos terrenos das ilhas da Região Autónoma dos Açores.

Esta particularidade da Sinaga permite que os proprietários dos terrenos agrícolas que não sejam agricultores a tempo inteiro, possam contratar a totalidade do trabalho a desenvolver.

Recentemente a Comunidade Europeia através do POSEI, reforçou ainda mais os apoios á cultura da Beterraba açucareira na Região Autónoma dos Açores, quer nos apoios á agricultura, quer nos apoios á indústria transformadora.